Capitulo 1: O que é isso de Linux?

Existem vários mitos em torno do Gnu/Linux que merecem ser combatidos para que seja permitido ao utilizador fazer uma escolha consciente.

Por exemplo, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa Linux não é um sistema operativo mas sim um Kernel. O kernel é o coração do sistema. É o núcleo responsável pela comunicação entre o hardware e o software. Sem ele o sistema não funcionaria.

O sistema propriamente dito é aquilo que designamos por distribuição Linux. Que é a junção do kernel Linux com um ambiente gráfico para o utilizador trabalhar e o software necessário para este trabalhar.

Chamamos aos sistemas Linux de distribuições porque elas fazem a distribuição de software através de repositórios que são servidores onde estão alojadas as aplicações que precisamos e que podemos instalar através de um programa de gestão de software

Porque é que se chama Gnu/Linux?

Para entender melhor a designação Gnu/Linux é preciso primeiro entender o que é o Gnu. Um projecto desenvolvido por Richard M. Stallman que visava a criação de um sistema operativo de software livre. Stallman e a sua Free Software Foundation já tinham as bases para o sistema (software, compilador..) mas faltava-lhe o kernel. É ai que surge o Linux desenvolvido pelo finlandês Linus Torvalds. A designação surge da união entre os dois projectos.

O que significa Software Livre?

Também aqui existe o mito que software livre representa software grátis. Puro engano. O conceito do software livre vem no oposto do software proprietário.

No software proprietário, o utilizador compra uma licença para poder utilizar determinada aplicação ou sistema mas este nunca é seu. A licença significa que pode apenas instalar esse software numa máquina respeitando uma série de termos e condições e não pode efectuar essa instalação noutra maquina (teria de comprar outra licença), não pode efectuar cópia ou qualquer alteração à aplicação sobre o risco de ser visado do ponto de vista legal.

No software livre, o utilizador baixa ou compra a aplicação ou sistema e pode efectuar as alterações e cópias que entender ao software. Inclusive até criar outra aplicação ou sistema com base no original. É por isso que este é chamado de software de código aberto ou open source.

Vamos dar um exemplo. Se você comprar uma licença do Windows ou do MacOS você pode instalar num dos seus computadores. Se quiser instalar noutro terá de comprar outra licença. Não pode também partilhar essa cópia de Windows (ou MacOS) que pagou com ninguém nem pode efectuar numa alteração ao núcleo do sistema. Não pode também criar outro sistema com base nestes.

Num sistema de código aberto como é o Linux, você pode instalar em quantas máquinas quiser, partilhar com seus amigos e familiares para estes instalarem e até pode alterar o sistema (distribuição Linux) e criar outro sistema baseado neste sem enfrentar problemas legais devido à licença.

Linux é complicado?

A questão de complicado ou difícil depende de percepções e experiência pessoais.

Se você nunca viu um computador à sua frente vai achar Linux tão complicado quanto o Windows ou MacOS. Se você já usou um dos outros sistemas e vem para o Linux vai achar um pouco mais complicado, porque cada sistema operativo tem as suas particularidades e terá que passar por um processo de adaptação.

Se você está habituado a usar Linux e nunca usou Windows ou Mac e quiser fazer o caminho inverso também vai encontrar adversidades.

Buhh. Este é o terminal Linux. Mas não se assuste. Seria pior se fosse o Michael Myers

Para usar Linux tenho que usar o terminal?

Não lhe vou dizer que nunca vai precisar do terminal. Este é útil para executar funções mais avançadas. Agora para a utilização diária do sistema, como instalar e usar aplicações ou configurar o sistema ao seu gosto você não precisa do terminal.

Encontra muita referência ao terminal muitas vezes, especialmente em blogues e fóruns dedicados ao Linux porque para um utilizador médio/avançado o recurso ao terminal agiliza as operações. Você pode fazer o mesmo em modo gráfico como noutros sistemas mas no terminal faz isso de forma mais rápida. Ou seja, muita gente recorre ao terminal mais por uma questão de hábito do que por necessidade.

Distribuições Linux. Existem muitas? Qual a melhor?

Existem centenas ou milhares de distribuições Linux. É difícil saber ao certo. Muitas delas surgem referenciadas no Distrowatch, mas nem todas. O Distrowatch é um site onde pode encontrar referência a várias distribuições, ver as novidades relativas às distribuições e ver quais são as mais procuradas no site.

A questão de melhor distribuição é uma falsa questão. Depende da sua máquina e acima de tudo do seu gosto pessoal.

Mas isso não torna a decisão do utilizador mais difícil?

Por um lado sim mas por outro lado permite uma liberdade de escolha maior do que existe nos outros sistemas.

As distribuições são como os bolos. Há para todo o gosto e feitio. Se eu gosto de uma tarte de maracujá você pode não achar grande piada e preferir um bolo de chocolate.

É não é por haver muita variedade de bolos que você se vai queixar.

Tanta distro? Que é que eu vou fazer à minha vida?
Vou mas é voltar ao ecrã azul da morte.

Então como é que eu escolho uma distribuição?

Consultando a documentação, lendo informação e vendo vídeos que pode encontrar na internet. Acima de tudo, a documentação de cada distribuição é o mais importante. É onde pode encontrar toda a informação relevante para entender o seu funcionamento e características.

Recomendamos que comece pelas distribuições mais populares e com melhor documentação como o Debian, Ubuntu, Linux Mint (baseada no Ubuntu que por seu lado é baseado em Debian), Fedora, openSUSE e Manjaro são das distribuições mais populares dentro da comunidade Linux. Pode também acompanhar os nossos artigos sobre as distribuições Linux, que são feitos de forma a lhe ajudar a tomar uma decisão.

Depois de se informar pode baixar as imagens .iso das distribuições e gravar numa pen usb ou DVD. Ao arrancar, o utilizador terá acesso a uma sessão Live que lhe permite experimentar o funcionamento da distribuição antes de decidir instalar no computador.

Porquê é que as distribuições parecem tão diferentes uma das outras?

Porque cada uma usa uma personalização própria e podem optar por ambientes gráficos para trabalho diferentes. Há vários ambientes de trabalho para Linux mas os mais populares e mais usados são Gnome, KDE, XFCE, LXDE e Mate. Outro ambiente gráfico popular é a Unity que vem de origem com o Ubuntu mas que dificilmente encontra noutras distribuições.

Apesar de visualmente parecerem diferentes a forma de trabalhar deles não é assim tão diferente. Contando com um painel com notificações e acesso rápido a algumas configurações como wifi e bluetooth (por exemplo) e um menu para lhe dar acesso às suas aplicações.

É verdade que instalar as aplicações varia muito consoante as distribuições Linux?

Varia um bocado mas não tanto quanto se faz pensar. Mas isso lhe vamos explicar num dos próximos capítulos.

Sobre Paulo Trindade

Apaixonado pelo Linux e open source. A primeira experiência foi com Red Hat foi algo traumática. Voltou anos depois com o Ubuntu 7.04 e nunca mais abandonou Linux.

Foi editor do Linux Tugaz e criou o Terminal Aberto.

3 comentários

  1. Belíssimo artigo. Fico a espera dos próximos episódios…

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